A história da mais antiga hospedaria oficial de imigrantes do Brasil!

Desde o ano de 2010, a Marinha do Brasil (MB) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) mantêm um convênio de cooperação que visa preservar a memória da imigração no Brasil, particularmente da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores, que funcionou entre 1883 e 1966, sendo a primeira hospedaria de imigrantes criada pelo governo brasileiro, ainda no período imperial, e que chegou a receber a ilustre visita de Dom Pedro II.


Em novembro de 2012 foi inaugurado o então Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, dando início às visitas guiadas para visitantes externos. Acompanharam a primeira visitação cerca de 100 pessoas, entre convidados civis e militares. Dentre eles, esteve presente a atriz Elke Georgievna Grunnupp (Elke Maravilha) imigrante que chegou a Hospedaria com seus pais e irmão, na década de 1950.


A partir de maio de 2014, o então Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores passou a contar com dois novos espaços: a exposição interativa do Cais do Bote e uma sede própria, composta por dois salões de exposição, um auditório multimídia, permitindo uma ampliação considerável das atividades do projeto, envolvendo a organização de exposições permanentes nos salões, o uso do auditório para palestras e seminários, além de oferecer maior conforto e melhor recepção aos visitantes.


No ano seguinte, o Centro de Memória estendeu sua parceria aos Estados Unidos da América, a partir da vinda da Diretora Técnica do Museu da Imigração de Ellis Island de Nova Iorque, Senhora Diana Pardue, formalizada pela assinatura de um Protocolo de Cooperação Cultural com foco nas experiências com imigração vividas por ambos os países. Com isso, o nosso espaço museológico ingressou no circuito mundial de museus relacionados a este tema de suma importância para a formação do Brasil e cada vez mais atual no mundo contemporâneo.


Ainda no final do ano de 2015, a Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro reconheceu o Complexo Naval da Ilha das Flores (CNIF) como de interesse turístico de valor histórico, reforçando a sua aptidão para atividades relacionadas ao tema e contribuindo para o reconhecimento da Marinha do Brasil como a orgulhosa “guardiã” da história da imigração na mais antiga hospedaria oficial de imigrantes do país.


Em julho de 2016, com recursos providos pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), foi inaugurado o Museu da Imigração da Ilha das Flores, composto pelo Circuito a Céu Aberto e pela Exposição Interativa Permanente. A partir daquele momento o museu passou a funcionar de terça a domingo, das 9h às 17h, recebendo visitantes para conhecer a história da imigração na Ilha das Flores gratuitamente.


Assim, no tour pelo Circuito a Céu aberto, o visitante é acompanhado por monitores militares e graduandos ou mestrandos do Curso de História da UERJ, percorrendo cinco totens distribuídos em pontos estratégicos da Ilha. Na Exposição permanente, o visitante recebe, logo na entrada, um passaporte a fim de recriar a sensação vivida pelos (i)migrantes por ocasião da chegada à Ilha naquela época. Com isso, busca-se reviver a atmosfera da chegada de uma viagem, que começa ao entrar no espaço museológico, na sala “Experiências (I)migratórias”, prosseguindo pela sala “História da Hospedaria”.


Também na ocasião da inauguração do Museu da Imigração da Ilha das Flores foi realizada por representantes da Empresa de Correios e Telégrafos, a cerimônia de obliteração do selo comemorativo aos 133 anos de criação da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores.


Ao longo dos últimos anos, o Museu da Imigração tem se consolidado como um equipamento cultural de grande relevância para a região, beneficiando, de maneira totalmente gratuita, estudantes de todos os níveis de ensino, das redes pública e privada, professores e pesquisadores, bem como membros da sociedade em geral, com grande alcance aos projetos sociais e educacionais desenvolvidos, sobretudo, pelas prefeituras de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro, posto que somente esses três municípios somados possuem aproximadamente 1.800.000 habitantes. Do mesmo modo, o MIIF atua como importante vetor de divulgação das atividades da Marinha e dos apoiadores do projeto.


Como se percebe, o resultado desses esforços tem sido um profícuo trabalho de cunho histórico-cultural e socioeducativo representado por uma história única, de grande riqueza e contribuição para a construção do Brasil tal qual conhecemos hoje. A história da mais antiga hospedaria oficial de imigrantes do Brasil preservada e contada para a nossa gente!

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